Dipirona (Metamizol) – Benefícios e Possíveis Riscos do Seu Uso

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Metamizol ou, comercialmente, Dipirona é um medicamento ainda utilizado principalmente como analgésico e antipirético (tratamento da febre). Encontra-se em forma essencial ou pura, não substituída cationicamente (Metamizol), e nas formas substituídas cationicamente, das quais Metamizol sódico (ou Dipirona sódica) é a mais usual no comércio farmacêutico. Demais formas, embora disponíveis, são mais raras.

A Dipirona é uma das drogas mais utilizadas no Brasil para o alívio de febre e dores, como as dores de dente, neuralgias, dores de cabeça e Miosite (Miosite é uma inflamação nos músculos, mas que também pode estar associada a inflamações em outros órgãos, incluindo coração, pulmões, intestino, pele e articulações. As miopatias inflamatórias são um grupo de doenças autoimunes causam a inflamação crônica dos músculos). Dentre os fármacos que contém a dipirona como parte da composição temos o Lisador®, Dorflex®, Neosaldina®, Novalgina® e Buscopan Composto® e em todos estes, estão presentes bulas indicando os riscos associados ao uso. No Brasil este fármaco está disponível nas formas farmacêuticas solução oral e injetável, gotas e comprimidos.

A [(2,3-diidro-1,5-dimetil-3-oxo-2-fenil-1H-pirazol-4-il) metilamino], popularmente chamada de Dipirona, também conhecida como Metamizol, foi produzida pela primeira vez no ano de 1920 pela empresa alemã Hoechst AG, sua produção em massa se iniciou em 1922.

Até 2001 a dipirona era o analgésico-antitérmico mais utilizado no Brasil e comercializado em mais de 100 países, entre eles, Alemanha, Itália, França, Holanda, Finlândia, Espanha, Argentina e México. No entanto, seu uso é marcado por diversos debates quanto aos riscos à saúde. Em 1970 alguns países como os EUA proibiram a venda da dipirona e outros fármacos do mesmo grupo que foram usados por muitos anos, mas foram abandonados em vários países pelo risco potencial de causarem Agranulocitose irreversível (alteração caracterizada pela diminuição das células sanguíneas ou ausência de leucócitos). A agranulocitose é uma reação adversa imprevisível e potencialmente fatal. Ela não dependente da dose, portanto, acredita-se que seja determinada por mecanismos de hipersensibilidade. O termo é, frequentemente, utilizado para indicar uma neutropenia grave (redução de células de defesa no sangue. os neutrófilos), sendo este um fator predisponente para infecções. Ela pode ocorrer tanto após o uso do medicamento em curto prazo ou intermitente, quanto após a administração prolongada. Os sinais e sintomas dessa reação adversa incluem lesões inflamatórias na mucosa (ex. orofaríngea, anorretal, genital), inflamação na garganta, febre e calafrios. Porém, em muitos países, como no Brasil, essa droga é de venda livre e isenta de prescrição médica, sendo hoje ainda comumente utilizada de forma indiscriminada pela população.

 

Conteúdo:

A pergunta que todos fazem – Porque é usada ainda em alguns países?

Em julho de 2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizou um “Painel Internacional de Avaliação da Segurança da Dipirona” com objetivo de promover um amplo esclarecimento sobre seus riscos. Nesse painel formou-se um consenso de que a eficácia da dipirona como analgésico e antitérmico é inquestionável, que os riscos atribuídos à sua utilização eram baixos, e que os dados científicos disponíveis apontando a ocorrência desses riscos não eram suficientes para indicar alteração de sua situação regulatória (venda sem prescrição médica). Com os dados apresentados os participantes concluíram que os riscos da dipirona eram similares, ou menores, aos de outros analgésicos-antitérmicos disponíveis no mercado. Contudo, cabe ressaltar que, embora tenham valor científico, os consensos ou opiniões de especialistas oferecem uma evidência de menor qualidade para a tomada de decisão em saúde quando comparados a outros tipos de estudos, como ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas, e por esta razão seus resultados devem ser avaliados com cautela.

 

Principais usos

A Dipirona é usada fundamentalmente como analgésico (tratamento da dor) e antipirético (para o tratamento da febre).

 

Risco do uso durante a gravidez

Uso durante a Gravidez e Amamentação: Recomenda-se não utilizar dipirona sódica durante os primeiros 3 meses da gravidez. O uso de dipirona sódica durante o segundo trimestre da gravidez só deve ocorrer após cuidadosa avaliação do potencial risco/benefício pelo médico. A dipirona sódica, entretanto, não deve ser utilizada durante os 3 últimos meses da gravidez, visto que, embora a dipirona sódica seja uma fraca inibidora da síntese de prostaglandinas, a possibilidade de fechamento prematuro do ducto arterial e de complicações perinatais devido ao prejuízo da agregação plaquetária da mãe e do recém-nascido não pode ser excluída.

Apesar de esse medicamento poder ser adquirido em qualquer farmácia, independente de receita médica, o uso em mulheres gestantes deve ser evitado, como sua própria bula menciona.

A Dipirona Sódica é capaz de passar pela placenta, atingindo o feto. Pesquisas comprovam que a Dipirona, quando consumida nos primeiros 3 meses de gestação pode causar má formação do feto, ou ainda atraso no desenvolvimento deste, sendo que o consumo da medicação em doses elevadas pode causar até mesmo a morte do embrião.

O uso pode, eventualmente, ser recomendado por um médico, mas apenas quando o mesmo verificar que os benefícios do medicamento podem superar seus riscos àquela que o ingere, e isso ocorre geralmente apenas no segundo trimestre da gravidez, por isso, atenção! Consulte sempre o seu médico antes de recorrer à automedicação.

 

Quem amamenta pode tomar dipirona

A amamentação deve ser evitada durante e até 48 horas após o uso de dipirona sódica, devido à excreção dos metabólitos da dipirona sódica no leite materno.

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Efeitos colaterais

De acordo com a literatura, comparada a outras drogas da classe de analgésicos não opioides a dipirona é relativamente segura. Os efeitos mais comuns são desordens gastrointestinais como náuseas, vômitos, dores abdominais e diarreia, porém ainda mais segura quando comparada aos demais anti-inflamatórios não-esteroidais. A dipirona também mostra um potencial efeito hepatotóxico, porém durante o tratamento são baixos os riscos de desordens hepáticas. O efeito mais controverso é o da agranulocitose, alguns estudos mostraram que o risco de desenvolver leucocitopenia, agranulocitose ou até mesmo anemia aplástica (doença onde há baixa produção dos três elementos figurados do sangue pela medula óssea) eram grandes quando administrada de forma prolongada, porém por anos estudos mostraram resultados divergentes quanto a estes riscos. Quedas abruptas de pressão arterial foram relatadas, especialmente em administração intravenosa rápida.

 

Contraindicações da NOVALGINA (Dipirona)

NOVALGINA não deve ser administrada a pacientes:

  • Com hipersensibilidade à dipirona ou a qualquer um dos componentes da formulação ou a outras pirazolonas ou a pirazolidinas (ex. fenazona, propifenazona, fenilbutazona, oxifembutazona) incluindo, por exemplo, experiência prévia de agranulocitose com uma destas substâncias;
  • Com função da medula óssea prejudicada (ex. após tratamento citostático) ou doenças do sistema hematopoiético;
  • Que tenham desenvolvido broncoespasmo ou outras reações anafilactoides (ex: urticária, rinite, angioedema) com analgésicos tais como salicilatos, paracetamol, diclofenaco, ibuprofeno, indometacina, naproxeno.
  • Com porfiria hepática aguda intermitente (risco de indução de crises de porfiria);
  • Com deficiência congênita da glicose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD) (risco de hemólise);
  • Gravidez e lactação.

 

O que devo saber?

Este medicamento é contraindicado para menores de 3 meses de idade ou pesando menos de 5 kg.

Categoria de risco na gravidez: D

Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.

 

Interações medicamentosas de Dipirona Sódica

Deve-se ter cautela quando da administração concomitante de dipirona sódica com ciclosporina. A dipirona pode causar redução dos níveis plasmáticos de ciclosporina. As concentrações da ciclosporina devem, portanto, ser monitoradas quando a dipirona é administrada concomitantemente.

Metotrexato: A administração concomitante da dipirona com metotrexato pode aumentar a hematotoxicidade do metotrexato particularmente em pacientes idosos. Portanto, esta combinação deve ser evitada.

Ácido acetilsalicílico: a dipirona pode reduzir o efeito do ácido acetilsalicílico na agregação plaquetária, quando administrados concomitantemente. Portanto, essa combinação deve ser usada com precaução em pacientes que tomam baixa dose de ácido acetilsalicílico para cardio proteção.

Bupropiona: a dipirona pode causar a redução na concentração sanguínea de Bupropiona. Portanto, recomenda- se cautela quando a dipirona e a Bupropiona são administradas concomitantemente.

Medicamento-alimentos: não há dados disponíveis até o momento sobre a interação entre alimentos e dipirona.

 

Principais complicações

Agranulocitose: Induzida pela Dipirona é uma casualidade de origem imunoalérgica, durável por pelo menos 1 semana. Embora essa reação seja muito rara, pode ser grave e fatal. Não é dose-dependente e pode ocorrer em qualquer momento durante o tratamento. Todos os pacientes devem ser advertidos a interromper o uso da medicação e consultar seu médico imediatamente se alguns dos seguintes sinais ou sintomas, possivelmente relacionados a neutropenia, ocorrerem: febre, calafrios, dor de garganta, ulceração na cavidade oral. Em caso de ocorrência de neutropenia (menos de 1500 neutrófilos/mm3) o tratamento deve ser imediatamente descontinuado e a contagem sanguínea completa deve ser urgentemente controlada e monitorada até retornar aos níveis normais.

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Pancitopenia: Em caso de pancitopenia o tratamento deve ser imediatamente descontinuado e uma completa monitorização sanguínea deve ser realizada até normalização dos valores. Todos os pacientes devem ser aconselhados a procurar atendimento médico imediato se desenvolverem sinais e sintomas sugestivos de discrasias do sangue (ex: mal estar geral, infecção, febre persistente, nódoas negras, sangramento, palidez) durante o uso de medicamentos contendo dipirona.

Choque anafilático: Essa reação ocorre principalmente em pacientes sensíveis. Portanto, a dipirona deve ser usada com cautela em pacientes que apresentem alergia atópica ou asma.

Reações cutâneas graves: Reações cutâneas com risco à vida, como síndrome de Stevens & Johnson (SSJ) e Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) têm sido relatadas com o uso de dipirona. Se desenvolverem sinais ou sintomas de SSJ ou NET (tais como exantema progressivo muitas vezes com bolhas ou lesões da mucosa), o tratamento com a dipirona deve ser descontinuado imediatamente e não deve ser retomado. Os pacientes devem ser avisados dos sinais e sintomas e acompanhados de perto para reações de pele, particularmente nas primeiras semanas de tratamento.

 

Conclusões

A automedicação é um problema muito sério para os médicos, uma vez que frequentemente as pessoas chegam aos hospitais já medicados, mas de forma errada, o que pode atrapalhar o diagnóstico ou ainda, piorar o quadro clínico. Por isso, a ingestão de qualquer remédio sem prescrição médica deve ser evitada ao máximo e, quando realizada, demanda extrema cautela. Mas para o paciente o problema pode ser sempre maior, é por isso muito importante não se automedicar, mesmo que tenha usado o fármaco em outras oportunidades.

Caso seja identificada alguma das reações citadas durante seu uso, é importante que o tratamento seja interrompido e consultar o médico imediatamente. Apesar de a Dipirona ser autorizada no Brasil e de se tratar de um medicamento de venda sem prescrição médica, deve-se evitar seu uso sem orientação profissional. Por isso, antes de utilizar qualquer medicamento consulte um médico.

 

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Sobre Dra. Diliagni Tellez Matos 67 Artigos
Especialista em Clinica Geral, com Pós-graduação em Medicina Alternativa, cursos de Acupuntura, Terapia Auricular, Fitofármacos e Tratamentos Alternativos da Medicina Quântica. Membro da Associação Brasileira de Terapeutas Holísticos.

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